Metafísica Absolutista
Princípios Causais Metafísicos
- Princípio da Razão de Ser: A tem um motivo para ser A e não B.
- Princípio da Causa Existencial: A tem um motivo para existir como A.
Conceitos Fundamentais
- Absoluto: Conjunto de todas as possibilidades lógicas ou não, anteriores ou posteriores ao universo.
- Realidade: Subconjunto do absoluto que compreende todas as possibilidades verdadeiras ou lógicas, anteriores ou posteriores ao universo. Ser. Existir.
- Irrealidade: Subconjunto do absoluto que compreende todas as possibilidades falsas ou ilógicas, anteriores ou posteriores ao universo. Não ser. Inexistir.
- Nada Absoluto: Estado de ausência de manifestação para o absoluto. Realidade pura. Existir puro. Ser puro.
- Estado: Configuração vigente no absoluto.
- Deus: Absoluto dotado de autodeterminação cujo estado primordial se dá como nada absoluto.
Princípio da Causa Existencial Aplicado ao Absoluto
- O nada absoluto não requer uma causa anterior ou exterior.
- O nada absoluto é uma possibilidade verdadeira e lógica dentro do conjunto de possibilidades do absoluto, pois não necessita de uma causa existencial.
Princípio da Razão de Ser Aplicado ao Absoluto
- Embora o nada absoluto não necessite de uma causa para sua realidade, necessita de uma causa para seu estado, conforme postula o Princípio da Razão de Ser.
- A razão de ser do nada absoluto só pode advir do próprio absoluto, já que não há nada anterior, posterior ou paralelo a ele que possa conferir-lhe uma natureza específica ou uma determinação. O absoluto já é, em si, a totalidade da realidade de que dispõe.
- Conclui-se que o absoluto é por natureza uma realidade autodeterminada.
A Natureza da Manifestação
- Manifestação: Realidade pura manifestada pela autodeterminação como fenômeno.
- Alma: Persona da realidade autodeterminante.
- Autodeterminação e realidade sendo ambas essências de uma realidade única, temos que a manifestação é almática.
- Segue, portanto, que a realidade é idealizada pelas faculdades mentais e realizada na própria estrutura que a idealiza.
- Segue-se que a realidade idealizada é construída conforme o campo das possibilidades inerentes ao ser.
Manifestação de Deus
- Manifestação Objetal: Manifestação da alma de forma a alterar sua natureza essencial.
- Manifestação Natural: Manifestação da alma de forma a preservar sua natureza essencial.
- Deus é a realidade autodeterminada dotada de uma persona.
- Deus, manifestando sua alma na realidade, é Deus e é homem.
Plenitude de Deus
- Autodeterminação em si: Homem determinado pela natureza herdada.
- Autodeterminação de si: Homem que tem consciência de si, que está presente em si e que tem domínio sobre si.
- Autodeterminação para si: Duas almas manifestadas que compartilham mutuamente sua autodeterminação de forma que dominam um ao outro através de uma mútua concordância (gênero), conhecem um ao outro mutuamente e estão presentes um no outro de forma recíproca. Corpo bi-almático.
- Autodeterminação para o outro: Duas almas manifestadas que, de um encontro e uma fusão, originam uma ou mais almas distintas. Corpo poli-almático.
- Finito Crescente: Manifestação de uma realidade imensurável como um mensurável constantemente acrescido de si mesmo.
- A manifestação da alma é a manifestação de um infinito crescente.
- A autodeterminação do ente é uma unidade.
- Há uma unidade da alma manifestada e uma extensão de si constantemente retroalimentada na própria manifestação.
- É possível que as almas se encontrem e suas retroalimentações se fundam sem que percam a identidade, havendo encontro e fusão.
- Segue-se a possibilidade de duas almas manifestadas que compartilham mutuamente sua retroalimentação de forma a originar outras almas de natureza herdada.
Segue-se que:
- A alma poli-almática é o máximo potencial de uma unidade que se forma a partir de dois entes.
- Deus, sendo pleno, já possui o máximo potencial da alma sem que necessite de nenhum processo para tal, obtendo o resultado do corpo poli-almático de forma instantânea.
Explorando a Verticalidade da Autodeterminação
- Autodeterminação: Qualidade do ente que é presente em si, tem poder sobre si e tem conhecimento (consciência) sobre si.
- Incorruptibilidade: Qualidade do ente cuja escolha da existência não é arbitrária. Qualidade de Deus.
- Corruptibilidade: Qualidade do ente cuja escolha da existência ou inexistência é arbitrária. Qualidade do homem.
- Espírito: Potencial do ente autodeterminante de se direcionar à sua própria realidade ou irrealidade.
- Poder sobre si: Potencial do ente de se direcionar a todas as possibilidades inerentes à sua realidade.
- Presença em si: Potencial do ente de ser presente em sua própria realidade, de forma a ser presente para si e não somente em si.
- Conhecimento de si: Potencial do ente de ser consciente para si e não somente em si.
- A realidade tem uma autodeterminação direcionada necessariamente à existência, ou seja, é incorruptível.Realidade sendo realidade é real, é a propria realidade pura. Não necessita ser real em seu para si, pois é a propria realidade em essência. portando, é um determinador necessariamente vivido.
- A alma da realidade segue sua mesma autodeterminação, porém tem persona, a qual, tendo um direcionamento à vida irrevogável, é traduzida como o amor. Jesus necessita ser real em seu para si. A personalidade de Jesus é o espelho de um amor tão inefáve que se rende a realidade de forma obrigatória e inequivoca.
- Deus é incorruptível.
- Deus não possui autodeterminação completa, pois não contempla a possibilidade de se direcionar à sua própria irrealidade.
Para corrigir esta incongruência é necessário postular:
- Para que houvesse possibilidade de corrupção em Deus seria necessário que uma alma corruptível (Adão e Eva) representasse a realidade de forma que sua escolha interferisse em toda a realidade, podendo corrompê-la ou não.
- Isto seria possível pelo fato de que o homem seja em seu "em si" ou "para si", compõe a realidade.
Amplitude da Autodeterminação Vertical
É possível definir a autodeterminação vertical em dois níveis: negação da autodeterminação e negação do ser autodeterminante.
Negação da Autodeterminação
- O homem que não opta pela sua existência, não opta pela sua própria autodeterminação.
- Ao não optar pela própria autodeterminação, permanece em seu "em si". Ou seja, passa a ser guiado pela sua realidade natureza herdada. Sua ação é completamente instintiva.
Negação do Ente Autodeterminante
- O homem que opta pela sua existência, opta também por sua autodeterminação.
- Ao optar pela própria autodeterminação, permanece em seu "para si". Ou seja, suas ações são guiadas por si como ente autêntico.
- Não sendo guiado por uma vontade instintiva, só poderia optar pelo não existir como uma ação dotada de identidade. Desta forma, optar pela própria irrealidade significaria causar ou consentir com sua própria aniquilação de forma a extinguir um propósito consciente e pessoal para tal.
Natureza da Conexão entre Homem e Deus
- Deus é a realidade que fundamenta todas as coisas.
- O espírito do homem pode direcioná-lo à sua própria realidade (para si).
- Segue-se que o homem pode estar em Deus e Deus pode estar no homem. O homem alcança assim sua plenitude, pois ao passo que é uma individualidade, pode-se conectar, também, com uma integralidade. O homem é em Deus, e Deus é no homem. O homem é real em Deus, ao passo que Deus é a realidade na qual o homem se faz real.
Suspensão Ontológica
- Suspensão Ontológica: Condição em que o determinador suspende a manifestação dos fluxos mentais alcançando um estado de quietude onde a percepção do tempo se dissolve na eternidade do instante presente, alcançando assim um estado primordial relativo a si mesmo e ao todo. Estado semelhante ao sono sem sonhos.
- Determinador Apático: Determinador que não se determinou real para si.
- Determinador Vívido: Determinador que se determinou real para si.
Suspensão Ontológica Primordial
- Deus é a realidade dotada de espírito, portanto, é capaz de despertar a si mesmo de sua suspensão ontológica primordial (nada absoluto).
- Jesus é a manifestação almática da realidade como homem.
- Deus permanece em suspensão ontológica ao passo que Jesus é a manifestação do seu fluxo mental. Desta forma, ambos existem na mesma realidade.
- Segue-se que o estado de suspensão ontológica é uma realidade compartilhada entre Deus e outros determinadores. Todos os determinadores podem compartilhar da mesma suspensão ontológica, pois ela transcende números, tempo e espaço. É um estado de unidade que não está limitado por dimensões físicas ou temporais.
Suspensão Ontológica da Persona
- Todos os determinadores podem compartilhar da mesma suspensão ontológica considerando que esta não é numérica, não porta tempo ou espaço.
- O despertar não advém de uma decisão originada no fluxo de pensamento, podendo ter seu gatilho no espírito do determinador o qual se direciona à realidade, ou seja, à sua aspiração fundamental de forma a não ser dependente do fluxo do pensamento.
- O despertar pode advir de um estímulo externo como no caso do corpo humano. Ainda que o indivíduo não deseje acordar, há um processo biológico externo que o leva a manifestar seu fluxo mental.
- O determinador que entra na suspensão ontológica sem estar desperto para si não possui um direcionamento à sua aspiração, desta forma, seu despertar não necessariamente acontece por ação do seu espírito.
- O determinador, ainda que distante de um processo mental, existe como determinador. Ou seja, sua dor não se dá pela manifestação, mas por sua condição ontológica. O sofrimento é a condição de seu estado, a própria ausência da realidade, não como uma decisão, mas como um aprisionamento.
A Corrupção do Cosmo
- Cosmos: Manifestação integral de uma persona.
- Se Adão ocasionasse a corrupção do cosmo, o mesmo perderia sua qualidade de se direcionar à vida. Ainda que continuasse como realidade. Sua direção fundamental mudaria.A direção de sua manifestação mudaria.
- O ser humano morre. O universo morre.
- Adão corrompeu o cosmo.
A Restauração por Jesus
- A representação da Corruptibilidade de Deus se configurou no primeiro homem e na primeira mulher, pois Deus confiou ao homem esta missão.
- Jesus representou o cosmo como novo Adão e Maria como nova Eva de forma a assumirem a mesma materialidade que Adão e Eva dispunham no declínio.
- Jesus restaurou a ordem original do cosmos, reafirmando seu propósito primordial voltado para a vida. Ele o fez demonstrando amor de forma livre e espontânea, entregando-se plenamente. Embora sua alma fosse incorruptível, sua paixão revelou a autodeterminação plena de Deus, sem que fosse necessário que essa plenitude se manifestasse no primeiro homem. Em uma analogia simplificada, apenas para fins de compreensão, podemos comparar a entrega de Jesus ao Pai a uma união nupcial, na qual o noivo se une à noiva eternamente. Essa união não é uma prisão, mas a expressão suprema de sua paixão e liberdade. Ou seja, o sacrificio perfeito de Jesus trouxe a autodeterminação plena, ou seja, liberdade à Deus. Fazendo com que a liberdade de Deus fosse relativa a Jesus, não ao primeiro homem. E lógicamente está restauração foi definitiva, pois Jesus é a base desta aliança.
Glorificação
- Todo homem é real, mas nem todo homem é real para si.
- O homem que é real para si tem autodomínio sobre si.
- Se tem autodomínio sobre si, tem autodomínio de si como realidade, mas não tem domínio sobre a realidade da qual participa. Ou seja, domina a si como persona, mas não domina a si como integrante da própria realidade.
- O homem glorificado tem domínio sobre a própria realidade de Deus, sendo seu autodomínio relativo à sua proximidade com a realidade de Deus.
Níveis de Iluminação
- Espírito Santo: A realidade trancendida no eu de Jesus, de forma a não produzir um reflexo translucido de si, mas de produzir uma terceira pessoa. Pois Jesus é totalmente transparente à Deus, de maneira a não só refleti-lo se direcionando sua aspiração mais profunda que se integra ás as pirações da realidade, mas de forma a se fundir. Desta forma, seu reflexo não é somente a luz divina, mas é uma terceira pessoa divina. Seu reflexo é uma efusão perfeita entre Si e Deus de forma a formar uma distinção de si que emana de si ao passo que preserva sua alma.
- O homem sendo autodeterminante em si significa corresponder totalmente às suas aspirações, exercendo total comando sobre si.
- O homem que sintoniza com a realidade seu querer, tem presença sobre si e sobre a realidade, ainda que esta não lhe permita operar sobre ela, mas permite sua presença. Corresponde então às aspirações de Deus que são suas aspirações mais fundamentais.
- A glorificação é permitir o domínio sobre a realidade, não somente a presença na mesma.
- A iluminação na glorificação corresponde à translucidez da persona, pois seu autodomínio reflete sobre sua realidade distinta e sobre sua realidade fundamental, de forma que sua autodeterminação transcenda a si e abranja a sua própria realidade fundamental.
O Paralelismo
- Determinador: Realidade autodeterminada cuja persona ou manifestação é distinta da realidade fundamental.
A Realidade como Relativa ao Determinador
- A realidade fundamental é relativa ao determinador de forma que, fazer parte da realidade fundamental (ser real ou não) é relativo ao determinador.
- Desta forma, o determinador existe na realidade sem que esteja na realidade. Em um estado paralelo à realidade.
A Manifestação da Realidade como Relativa ao Determinador
- Uma vez que o determinador determine ser real, a estrutura da sua realidade é relativa a si tal como qualquer outra estrutura de realidade o seria.
- A estrutura da realidade do determinador é relativa ao determinador.
- A manifestação da realidade fundamental é relativa ao determinador. De forma que, a realidade fundamental existe se existir para o determinador.
- A manifestação da realidade do determinador A é relativa à realidade do determinador B.
- É possível que a realidade fundamental contenha realidades paralelas sem corromper sua unicidade, considerando que toda manifestação é relativa a um determinador, sendo este o agente ou não da manifestação.
A segunda vinda de Jesus
- Ação maléfica: Ação do determinador como manifestação de uma má formação moral.
- Ação apática: Ação do determinador como manifestação de uma sintomática ocasionada pelo seu estado de alienação à sua realidade fundamental. Ação do determinador apático.
- Anjos: Prole fictícia idealizada e manifestada pelo determinador de forma a representar a ação de um ou mais determinadores.
- Anjos: Prole idealizada e manifestada da persona de forma representar a ação de um ou mais determinadores.
- Céu: Realização pessoal total.
- Purgatório: Realização pessoal parcial.
- Inferno: Ausência total de realização pessoal.
- A ação apática é incessante pois tem como origem em um estado incessante de dor subjetiva.
- A ação maléfica não se origina de uma tendência incessante.
- A sociedade comporta a ação maléfica, mas não a ação apática.
- É necessário separar os determinadores apáticos do funcionamento social.